A noite está fria, e a brisa que toca meu corpo faz-me tremer e arrepiar, digo mais: você deveria estar aqui pra me esquentar e sair das minhas meras lembranças antes que de uma vez eu congele, você não irá querer beijar, abraçar, muito menos dormir com um cubo de gelo, não é?
Abri uma porta, para que você possa passar. Se acomode em mim, faça daqui seu lar. Não me importo que você pinte as paredes de outra cor ou que você troque os móveis de lugar, faça o que quiser, mas fique. Prometo não dá meus ataques e nem ao menos uma frescurinha, nem reclamarei de acordar ouvindo sua velha radíola. Ou de você me levar para jantar naquele velho bar, com você irei para qualquer lugar. Meu desejo insano da tua presença é tanto, que acredito que a casa não seja suficiente, então dou-lhe minha alma e coração. Estou disposta a esquecer meus enganos, lembranças e angústias, engolir minhas magoas e permanecer limpa. Mudo de rumo, mudo de escolha e te encaixo em cada uma delas. Aqui está tudo bagunçado, não repare. Permito-te arrumar cada pedacinho de mim, da forma que lhe agrade. Se acomode, tudo aqui é seu; casa, alma e coração.
Florescedora
Então vem. Bagunça o meu cabelo, me morde, ria da minha cara emburrada, me abrace quando eu precisar e quando não precisar também. Gosto de abraços. Dorme comigo, me acorda com carinho, com amor, zombe da minha cara de sono e diga que meu sorriso é bonito. Segura a minha mão, não solta mais não, preciso ter contato, te ter por perto. Te cuidando, te amando. Liga pra mim quando a saudade bater, me faça surpresas, gosto de surpresas. vem me amar, não vai embora não.
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama
De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
(via oxigenio-dapalavra)
Depois de estar com você, de sentir teu cheiro, tua pele, encostar a mão no seu rosto, ouvir coisas banais, enroscar meus dedos em seus cabelos, enfim, de sentir você, eu tenho, tive e sempre terei absoluta certeza de que eu não quero que você saia da minha rotina. Permaneça sempre, por favor.
É segundo por segundo
Que vai o tempo medindo
Todas as coisas do mundo
Num só tic-tac, em suma,
Há tanta monotonia
Que até a felicidade,
Ah! Como goteira num balde,
Cansa, aborrece, enfastia…
E a própria dor - quem diria?
A própria dor acostuma.
E vão se revezando, assim,
Dia e noite, sol e bruma…
E isto afinal não cansa?
Já não há gosto e desgosto
Quando é prevista a mudança.
Ai que vida!
Que a felicidade não dependa do tempo, nem da paisagem, nem da sorte, nem do dinheiro. Que ela possa vir com toda simplicidade, de dentro para fora, de cada um para todos. Que as pessoas saibam falar, calar, e acima de tudo ouvir. Que tenham amor ou então sintam falta de não tê-lo. Que tenham ideais e medo de perdê-lo. Que amem ao próximo e respeitem sua dor. Para que tenhamos certeza de que: Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade.
Eu gosto de andar pela rua, bater papo, de lua e de amigo engraçado. Eu gosto do volume, do perfume, do ciúme, do desvelo e de abraço apertado. Eu gosto de artistas diversos, de crianças de berço e do som do atchim. Tem gente, muita gente que eu gosto, que eu quase aposto que não gosta de mim. Eu gosto de quem sempre acredita, a violência é maldita e já foi longe demais. Eu gosto de inventar melodia, da palavra poesia e de palavra com til. Eu gosto é de beijo na boca de cantora bem rouca e de morar no Brasil. Eu gosto assim de quem é eterno, de quem é moderno e de quem não quer ser. Eu gosto de varar madrugada, de quem conta piada e não consegue entender. Eu gosto de quem quer dar ajuda e acredita que muda o que não anda legal. Eu gosto é de ver coisa rara. A verdade na cara é do que gosto mais. Eu gosto porque assim vale a pena, a nossa vida é pequena e tá guardada em cristais. Eu gosto é que Deus cante em tudo e que não fique mudo morto em mil catedrais.
você me ouve dizer isso pelos cantos da cama, enquanto a noite se definha entre seus cabelos e as estrelas transpassam as suas retinas. Seus dedos deslizam serenos pela minha pele, ao tempo que os meus os acompanham numa dança frenética. O universo se agrada dos rastros deixados nos lençóis.
Eu não te largo, mon étoile, eu te cuido até de longe, porque nós somos e nos bastamos dentro de um mesmo centro gravitacional, infinito que nos cabe e acolhe. Você me cita Nietzsche de um jeito doce, “é necessário ter o caos cá dentro para gerar uma estrela”, antes de cerrar as pálpebras e me deixar sonhar com você.
Continuo a sustentar o peso do seu corpo sobre o meu. Você foi meu caos, a bagunça que me agradava, agora é a estrela que renasce todas as vezes que fito o céu por alguns instantes.
laís c.
